Zé Inácio Caburé e Eloína Evangelista

Minha primeira visita a Caladinho, há dezoito anos, me revelou a força de Zé Inácio e a fé de dona Eloína. A visita de hoje me mostrou que aquele casal sertanejo continua o mesmo, firmes, vitoriosos e cheios da sabedoria que só o tempo e o sertão sabem ensinar.

No ano de 2007 estive pela primeira vez na comunidade de Caladinho, município de Curaçá. Naquele tempo, eu prestava serviço para a COOPERCUC, atuando na área ambiental. Visitava às dezesseis comunidades assistidas pela cooperativa com a missão de repovoar os umbuzais da caatinga, uma das mais belas experiências que vivi pelo sertão.

Foi nessa caminhada que conheci a família dos meus amigos Máximo e Denise: sua mãe, dona Eloína Evangelista da Silva, a querida Pretinha, e o pai, seu José Inácio Cardoso, o Zé de Inácio Caburé.

Hoje, dezoito anos depois, retorno a Caladinho. Refazendo os passos pelas curcas no sopé da Serra do Pica-Pau, revisito histórias e desperto lembranças daquele primeiro encontro que o tempo não conseguiu apagar. Dezoito anos não são dezoito dias, é preciso puxar pela memória para recompor os detalhes, mas o essencial permanece, Caladinho continua quase o mesmo, com sua paisagem de resistência e beleza.

Algumas casas novas surgiram, uma pequena fábrica de beneficiamento se ergueu, e projetos ambientais de recatingamento florescem no fundo de pasto. Mas seu Zé Inácio continua como o encontrei lá atrás, cuidando de suas cabras e vacas com o mesmo vigor e dedicação. O mesmo homem forte, sereno e obstinado de sempre.

Filho de Inácio Caburé, da Fazenda Barreiro, e de Germana Cardoso Pereira, da família Cardoso do Mari, filha de José Antônio. Zé Inácio carrega nas veias o sangue dos Caburé, gente de trabalho e palavra. O pai de Inácio, Lúcio Caburé, teve três filhos homens: Inácio, Ricardo e João, todos descendentes do velho Zé Antônio da  Fazenda Barreiro.

Antônio Caburé, patriarca da família, dividiu suas terras: vendeu parte a Roque Padeiro e outra a Antônio Aleixo, reservando uma roça para seu filho Inácio e os netos, entre eles, José Inácio Cardoso (Zé de Inácio Caburé), José Antônio Cardoso Neto, Antônio Inácio Cardoso, Lourdes, Jacira, e as saudosas Dulce e Savelina.

Desde cedo, Zé Inácio aprendeu o valor da labuta. Na época das trovoadas, a família plantava mandioca, milho e feijão nas terras de Caladinho. Foi nesse tempo que ele conheceu Eloína, moça da Fazenda Parente, com quem namorou 6 anos até que se casaram e já convivem há mais de sessenta anos.

Juntos, criaram uma bela família: Domingas, mãe de Denise Cardoso (ex-presidenta da COOPERCUC); Maria da Glória, esposa de Samuel de Roque Trindade, mãe de Egídio; Zélia, do licuri do Piu; Geciane; Ariovaldo; e o filho adotivo Máximo, filho de Maninha, irmã de Zé de  Inácio.

A vida de Zé de Inácio foi marcada pelo trabalho duro como vaqueiro nas fazendas Carro Quebrado, Laguinha e Barreiro. Com seu esforço e o apoio de sua esposa Pretinha, construiu sua morada em Caladinho e, ao lado da família, fez boas colheitas e multiplicou seus rebanhos.

Com as bênçãos de Deus e a fé de sua companheira, rezadeira respeitada e mulher de coragem, enfrentaram secas, perdas e desafios. Criaram seus filhos com dignidade e os educaram nos valores mais firmes do sertão, do trabalho, da fé e do respeito. 

Hoje, essa família é referência em Caladinho e em toda a região. Seus filhos e netos lhes dão orgulho. Zé Inácio e Eloína representam o que há de mais autêntico na alma sertaneja, a luta diária pela sobrevivência e a coragem de permanecer. Enquanto muitos desistem, eles resistem, e transformam as dificuldades em degraus para um futuro mais próspero e feliz.

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Cabeceira
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